It’s all about poker

Jonatas Abbott

Yes, in English. O título apenas claro.

O poker representa nossa vida corporativa como nenhum outro jogo ou esporte (sim jogo com caras que realmente acreditam que poker é um esporte). Poker é sobre construção de marca e valor. A cada mão jogada o que está em jogo, acima de tudo, é a sua reputação, sua imagem.

É com ela que o famoso blefe funciona. É com a construção de uma imagem forte que jogamos o “all in”. O “all in” é o tudo ou nada, é quando jogamos a vida. Ganhar ou perder, continuar com mais fichas no torneio ou ser eliminado, vida ou morte.

O poker como a vida é feito de escolhas. O tempo todo. Por isso talvez alguns chamem de esporte da mente. Porque realmente ela cansa. No fim de um torneio estamos com a cabeça pesada. A cada par de minutos uma decisão. Apostar (bet), abandonar a mão (fold), aumentar a aposta (raise) ou apenas pagar (call) ? Ou, quem sabe o “all in”? O tudão, o tudo ou nada ?

São decisões em volta da sua marca. E elas sempre estão ligadas, assim como no mundo corporativo, aos ganhos. Bet, fold, raise e call são atitudes que sempre tem como objetivo ganhar. Ou pelo menos não perder, reduzir as perdas. Exatamente como no dia a dia de uma empresa. 

Em cada mesa 9 ou 10 homens e mulheres se encaram, tentando não transparecer suas emoções. Se está com o melhor jogo ao cabo da última carta (nuts) quer que pensem exatamente ao contrário, porque quer que paguem sua aposta. Se não tem um jogo forte e quer levar o pote cheio de fichas quer apostar baseado numa imagem forte. Por isso ninguém quer fazer o “dbet” (donking bet ou aposta burra).

Todos querem uma marca forte. Branding, poker é sobre isso. É uma corrida com apenas um ganhador. Uma espécie de big brother em que pouco a pouco todos vão sendo eliminados. Até a FT (Final Table). Queremos vencer nossos competidores, ganhar mais do que eles.

Por isso talvez eu jogue poker. Mas não levo tanto a sério. Adoro observar, fascinado, os tipos humanos em volta da mesa. Seus vícios, reações, blefes, frustrações, irritações. Por isso costumo abrir uma cerveja bem gelada, relaxo meus músculos, as costas bem espalhadas no encosto da cadeira. Ali na mesa eu posso tudo, especialmente experimentar, testar. Ir até o limite.

O poker é um treino de emoções para o que nos aguarda na manhã seguinte. No jogo que vale de segunda a quinta no horário comercial o risco deve ser melhor calculado, as apostas mais medidas e o all in sempre evitado. Em 30 anos de carreira dei uns 3 all ins. Ganhei dois. As apostas que apenas paguei ganhei quase todas. 

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